Rinite Alérgica apresenta mais riscos do que se imaginava
A rinite alérgica é uma doença, caracterizada pela inflamação da mucosa que reveste internamente o nariz. O estímulo, responsável pela instalação e manutenção do processo inflamatório, é a exposição aos alérgenos ambientais, como a poeira, mofo e fumaça, dentre outros. Clinicamente, a rinite alérgica se manifesta pela presença de secreção nasal clara e abundante, sensação de coceira no nariz, tosse e espirros.
Até aí você já sabe, mas o que há de novo nisso? Por enquanto nada, mas a questão que se revelou neste mês de julho foi levada ao público por um grupo de pesquisa médica da França.
Os pesquisadores franceses publicaram um estudo na revista American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, onde avaliaram o risco de surgimento de chiera, em portadores de rinite alérgica. Foram incluídos na pesquisa 3.719 indivíduos, sem quadro de chiera, no início da avaliação, os quais receberam acompanhamento clínico por um período de 9 anos.Os resultados apresentados demonstraram que, 9,7% dos indivíduos, com rinite alérgica, desenvolveram chiera até o final do seguimento clínico. A chiera brônquica esteve presente em 7% dos participantes com atopias [pra quem não sabe é um anafilaxia localizada, caracterizada por superprodução de IgE] , e em 5,5% dos indivíduos sem quadro alérgico. A presença de rinite alérgica, exacerbada pela exposição ao pêlo de gatos ou à poeira, constituiu fator de maior risco de desenvolvimento da bronquite.
Na verdade a rinite e qualquer outro tipo de reação alérgica é uma resposta normal da mucosa do nosso nariz quando entra em contato com substâncias interpretadas como tóxicas. O alérgico, ao contrário do que muitos pensam, não possui deficiência do sistema imune, mas encontra-se hiperreativo a diversos fatores, inclusive o tratamento desses indivíduos pode ser realizado com vacinas de hipossensibilização. Mas meu Deus! Então eu posso ter rinite alérgica? A resposta é sim, você pode. Segundo o otorrinolaringologista João Ferreira de Melo Jr,
Cerca de 10 a 25% das pessoas sofrem de rinite alérgica. E esta característica é herdada dos pais. Quando um homem e uma mulher alérgicos tem um filho, a chance desta criança ser alérgica é de cerca de 50%. Por outro lado, mesmo que nenhum dos pais apresentem alergia, a criança ainda assim pode vir a ter, diz ele.
Assim, os autores concluem que a rinite alérgica está associada, com grande freqüência, à chiera pulmonar. O controle terapêutico adequado da rinite alérgica é capaz de minimizar o risco de exacerbações da bronquite.
A terapêutica da rinite alérgica está representada principalemente por:
- Corticóides inalatórios ou tópicos: o uso desta classe terapêutica tem por objetivo diminuir a reação inflamatória da reação alérgica, sendo muito eficaz. Os corticóides normalizam a permeabilidade vascular, estabilizam as membranas dos mastócitos, diminuem o edema, enfim, proporcionam regressão de todos os sinais inflamatórios e alérgicos e, conseqüentemente, da sintomatologia. Dentre os corticóides, vale citar o spray de dipropionato de beclometasona, cuja ação local é bastante satisfatória.
- Anti-histamínicos: é o tratamento de primeira linha para o tratamento e controle da rinite alérgica. Esses medicamentos bloqueiam a ligação de histamina ao receptor H1, bloqueando, então, a maior parte dos sintomas associados a essa doença.
- Cromoglicato de sódio: utilizado no tratamento da asma brônquica, esta substância teria um efeito similar ao do corticóide nas rinites alérgicas. Utilizado por via tópica, apresenta resultados variáveis segundo a opinião de diversos especialistas.
- Vasoconstritores locais: estes medicamentos podem ser absorvidos para a circulação sistêmica e provocar taquicardia e aumento da pressão arterial (secundário à vasoconstrição de outros vasos sangüíneos).
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