04 agosto 2007

O Mito do Palmito

Esse rapaz já é um grande conhecido dos técnicos da Anvisa, devido a polêmica envolvida com os sucessivos casos de botulismo no país, alarmando muitos por volta do ano de 1999. Nesse ano, mesmo com tantos contratempos, o mercado do palmito gerou um capital de 328 milhões de dólares, segundo o Inmetro.
O palmito é basicamente uma iguaria do Brasil, que responde por cerca de 85% do que se produz no mundo. Apesar disso, o país já não domina as exportações do produto.

A culpa é da falta de qualidade, afirma Antunes Correa.
As exportações brasileiras já foram da ordem de 40 milhões de dólares por ano. Importadores franceses deixaram de comprar do país e estimularam a produção na Colômbia para abastecer seu mercado. Nos últimos anos, Costa Rica e Equador, com plantios de pupunha e preços mais baixos, tomaram conta do mercado internacional. O Brasil exporta hoje de 7 a 8 milhões de dólares por ano, quase tudo para a Argentina.

A portaria n º 304, de 08 de abril de 1999 da Anvisa obrigava as empresas inserirem na embalagem do produto a seguinte advertência:
"Para sua segurança, este produto só deverá ser consumido após fervido no líquido de conserva ou em água, durante 15 minutos"
Na época houveram diversas reportagens e até o Inmetro foi incubido de analisar diversas marcas para gerar um parecer à população. Mas nos resultados obtidos as marcas escolhidas foram muito bem, pois apenas uma foi reprovada em um dos quesitos analisados (verificação de rotulagem, ensaio de pH, análise microbiológica e microscópica). O meio da conserva de palmito analisado se encontrava em desacordo com as normas ditadas propocionando um ambiente suscetível à proliferação de Clostridium botulinum, que liberam toxinas potentes.
Essas substâncias produzidas por essas bactérias podem causar paralisia muscular, podendo até matar. Os primeiros sintomas, que podem aparecer entre 18 e 36 horas após a ingestão do alimento contaminado, são boca seca, visão dupla, náuseas, vômitos, cólicas e diarréias. Depois surgem sintomas neurológicos, como paralisia facial, que terminam com problemas respiratórios.

No iníco de 2000 a etiqueta com a advertência foi abolida pela Anvisa (já? isso mesmo, se passou apenas um ano...) para algumas marcas e a circulação de certas marcas cancelada, incluindo a marca Etti, do grupo Parmalat (previsão da decadência iminente?)

Mas e agora?
Mais recentemente (2005) o Inmetro fez uma avaliação de produtos com marcas próprias no qual o palmito estava incluído. Obteve-se o seguinte resultado:

Resultado Geral

Marca

Características
Organolépticas e pH

Características Microbiológica

Rotulagem

Resultados

A

Conforme

Conforme

Não Conforme

Não Conforme

B

Conforme

Conforme

Não Conforme

Não Conforme

C

Conforme

Conforme

Não Conforme

Não Conforme

D

Conforme

Conforme

Não Conforme

Não Conforme


Se se interessar por mais algum produto alimentício pode dar uma olhada na lista de produtos (alimentícios ou não) avaliados pelo Inmetro.

De acordo com o Inmetro,

todas as marcas de palmito em conserva analisadas apresentaram não conformidades quanto às informações que constam nas embalagens dos produtos. Dentre as não conformidades encontradas, podemos destacar a não apresentação ou a apresentação de forma inadequada de informações quanto a data de validade, quanto a conservação do produto, quanto à função do aditivo declarado no rótulo e quanto à presença de glúten no produto. (...) informações são essenciais ao consumidor e devem ser declaradas de forma clara, e em conformidade com as resoluções da ANVISA.
No que diz respeito ao glúten, proteína presente nos produtos à base de trigo, centeio, cevada e aveia. Estima-se que, a cada 300 brasileiros, pelo menos um é portador de uma enfermidade que impede a ingestão de alimentos com esta proteína.Trata-se da doença celíaca, que agride e provoca lesões no intestino delgado, comprometendo a área de absorção dos nutrientes. (...)

Preocupados com o impacto do botulismo nas suas vendas, os fabricantes também tomaram iniciativas para tentar reconquistar a confiança do consumidor e regularizar o mercado.
Criaram uma associação, a Anfap, que contratou uma empresa de auditoria externa para inspecionar a produção das várias indústrias. As marcas aprovadas têm o direito de afixar nos vidros um selo, atestando sua qualidade.

Apesar disso, o Inmetro ainda ressalta:
é necessária cautela para a compra do palmito em conserva, pois muitos palmitos provêm de fábricas clandestinas, envasados e transportados em condições pouco higiênicas e com rótulos falsificados
Em suma: Na dúvida, não coma.

E eu ainda tenho uma indagação a fazer a você caro leitor:
Você já viu o selo acima alguma vez na vida?

Nenhum comentário: